terça-feira, julho 10, 2007

Rasgo, rock, grito, agressão.

Tenho o prazer de divulgar aqui o excelente texto que a minha amiga Raquel Coelho criou para a minha exposição “Going Mental” que teve lugar no Espaço Arte do Café Heróis, Lisboa, no ano passado. Obrigada, Raquel!


Aqui vai:

"Rasgo, rock, grito, agressão. Os olhos de onde brotam pérolas soltas – breves adornos que acariciam a solidão - são verdes de mar em dias de tempestade. A noite escurece-o. Rasgo de anoitecer que a ressaca amanhece.

Gritos, raiva, chama, espasmos de emoção. O cálice ferido sangra ao estilhaçar-se no chão marmóreo do palácio gélido. Com o sangue está desenhada na pedra a tua dor. A solidão ecoa no vazio do tempo em que gente frívola, na noite embriagada de velas fúnebres, dançava a vida roubada aos pobres, ao som de contradanças. Rock.

Emoção, sufoco, inspiração. Tempo infinito em que demoras o olhar em ti. Encontras-te escureces, agonia. O néctar embriagado escorre pelos labirintos. A festa grita. Sombras estonteantes resvalam pela noite fora. Uma luz de vela chama-te. A chama apagada arrefece as conversas perdidas. Chama-te. Chama-te onde estou? Rebento de emoção. Onde estou aqui? Explosão, rock, cores magoadas brotando por detrás da noite, do calor das veias vivas de sangue. Sangra comigo. Bebe as minhas pérolas não me deixes só. Leva o meu cofre que rebenta dentro de mim. O néctar que do cálice de sangue escorregou. Deixa-me nos lábios a doce recordação que a madrugada fará esquecer. Deixa-me esquecer. Deixa-me grito, rock, a luz, emoção, sufoco, inspiração."

Raquel Coelho

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