Vesícula
A vesícula continua a dar cabo de mim. O sono persegue-me, mas três dias depois as coisas não se afiguram tão negras. Sinto que a noite em que a Xana me foi buscar, depois de ter perdido o último metro, foi a derradeira. Parece que me foram buscar aos pés do inferno, onde uma ténue linha entre a realidade e o pesadelo se dissipava a cada momento. Enquanto dantes me divertia, agora apenas me afundava. Cada noite, cada passo. Apareciam-me caras com os dentes podres, saídas do Intendente. Saias vermelhas e bocas pintadas. Bébés com cabeleiras louras. A minha imaginação metia-me medo. Nunca como antes me sentira tão perto do limiar da loucura.
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